sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O cachorro de minha amiga

Minha amiga-irmã tem um cachorro. É um bichinho feio que dói, o tadinho. Pequeno e com um pelo branco encardido (a cor é esta devido a idade, dizem minha amiga e seu marido), tem olhões esbugalhados saltando da cara como se fossem duas bolas de gude marrons. A raça dele? Acho que é uma mistura de cachorro branco com coisa nenhuma. É, o pequeno Combate (isto, o nome dele é Combate) é mesmo feinho... Ele até lembra Bandit, o cachorrinho da série de animação Johnny Quest, mas apenas lembra...

De ontem para hoje eu dormi na casa de minha amiga-irmã. Acordei, como de costume, antes dela. Desci para fazer o desjejum matinal e ver as “news” na TV, quando ouvi um choramingar típico dos caninos. Era o pequeno “zoiudo” querendo entrar em casa, pois ele dorme em uma das áreas externas. Abri a porta e ele, como sempre, entrou fazendo aquela festa, cheio de felicidade. Pulou em minhas pernas, correu até a porta da sala e retornou para a cozinha. Mesmo acostumado comigo, ele estancou de repente como se tivesse percebido ou sentido algo diferente. Então, sorrateiramente, ele foi subindo a escada para o andar de cima da casa, fato que me fez imaginar que ele estava indo em busca da minha amiga ou de seu marido. Como Combate gosta de aprontar, digo, deixar suas demarcações de território dentro da própria casa, subi atrás dele para fazê-lo descer.

Lembrei que o marido de minha amiga-irmã viajou e, só então, compreendi o comportamento do cachorrinho. Ele se mostrava claramente triste e sempre que o portão lá fora batia ou alguma chave tilintava, ele corria para a porta da sala, como se esperasse ver o dono entrar. Sentado no sofá, assistindo O Diabo Veste Prada, eu observava ao mesmo tempo o comportamento do pequeno canino e aos poucos fui ficando comovido. Lembrei de um dos episódios de Caverna do Dragão no qual Eric se transforma em uma fera do pântano, e de antes desta transformação o Mestre dos Magos ter dito algo sobre “a bela que esconde a fera”. A bela era uma flor que não podia ter seu pólen inspirado por uma pessoa, sob pena dessa pessoa se transformar em um monstro feioso (metáfora pouca é bobagem)...

Ah, lembrei! Eu estava falando de Combate! Pois é, o cãozinho feio e abusado estava ali mostrando que tem sentimentos, mostrando que os sentimentos não são virtudes apenas humanas. Sentei-me no chão e isso me fez mais acessível ao bicho. Então ele veio correndo e deitou-se em meu colo. Fiquei ali, vendo o filme, acariciando o caninozinho e pensando como eu quase podia ver expressões naquela cara e naqueles olhões esbugalhados. Aos poucos o feiozinho me dizia que a fera também esconde a bela e, com o toque daquela pequena cabecinha deitada ao meu colo, eu mesmo me senti diferente, pois também precisava repousar minha cabeça em um colo e chorar. Os olhões esbugalhados se transformaram em faróis e mostraram-me os ponteiros do relógio marcando a hora de me arrumar para sair para o trabalho.

9 comentários:

Carolina Salcides disse...

Nossa, li se texto e me senti nele... Você é bom em detalhes... gostei de ler-te!

Sou suspeita pra falar.... minha cachorrinha, Lua, faz isso todos os dia demanhã... amo os caninos...
Ela tem os olhos tão brilhantes e profundos, carentes como o do gato de botas do Sherek... Eu me derreto.
É minha companheira de café da manhã e nas noites de chuva...

Beijinhos, luz e inspiração.
Muitas manhãs cheias pra voce!

Karin Kunze disse...

Ameeeeei seu blog, meu querido!!
Vou virar leitora assídua. bjo

PS: Lembrei do tempo em q eu lia suas poesias e dava o parecer, lembra?

Marcos disse...

Brother, ainda não sei como lidar com esse negócio de blog...esse cachorro aí me lembrou Chupisco, lembra dele? De Vicente. Que ficava comendo leite condensado escondido (segundo você contou...).

Camila disse...

Me levou a momentos que não voltam mais,mas,são inesqueciveis!!!Saudades de Lion meu cãozinho!!!!

Nanã disse...

O velho e chato Combate, sempre temperamental, mais fazendo parte das nossas noites de gastação... Irmão, vc comprovou uma das minhas percepção de que nem todos os animais tem alma em grupo, pois alem da observação dos meus bichinhos, o proprio Combate já me chamou atenção como é possivel animais terem atitudes humanas, como já dizia o dito popular que cachorros é o espelho do dono. Tipo... Combate não gosta de acorda cedo, ele fica realmente de mau humor, como a nossa Irmã... rsrsrsrsrsrsrsrsrs

Muito Bom essa ideia do seu blog!!!

Te Amo
Bjs

Nanã

Gell disse...

Sol,
lembrei o meu querido Tom Zé, que é lindo demais (como todo pincher)e que me fala com os olhos e atitudes. Esta comunhão com os nossos irmãos de estimação é realmente incrível.
Adorei o blog, lindo como você.
Vou vir sempre.
Beijos, meu amigo Sol.
Gell

florzinhamimosa@hotmail.com disse...

Ah! Que delícia de ler... eu não conhecia esse seu lado cronista, mas já era de se esperar mesmo né...
Até aqui, nenhuma surpresa tanta qualidade.

beijos
i.

Taysa disse...

Nossaa!! Vivenciei a cena...

Só faltou conhecer a carinha do Combate...

Gostei mto do texto, sensivel, belo e empolgante.

Da proxima vez q tiver com ele por perto faz um afago por mim.

Frida Cores disse...

Até deu vontade de ter um bichinho desse em casa...